Café compartilhado! Já pagou o seu hoje?

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Sr. Neves, por ser um gesto de gentileza.

Quase chegando à Av. São Luiz (e andando rápido como de costume) eu quase passei batida por uma plaquinha que chamou a minha atenção.

Eu li “Café compartilhado! Já pagou o seu hoje?” e fiquei muito curiosa pra saber do que se tratava. Então voltei e perguntei ao vendedor, que se apresentou como Sr. Neves e me disse como funcionava o tal do café compartilhado.

Ele falou que o café compartilhado é destinado a quem não tem condições de comprar um café como pessoas em situação de rua e que os clientes compram cafés, chás, bolos, lanches e marcam numa lousa, destinada às comidas “compartilhadas”, que servem como um “crédito”.

Revirei as moedas no fundo da minha mochila e deixei um café compartilhado. Esperei Neves escrever na lousa, agradeci e fui andando para a biblioteca.

Gostei muito da atitude do Sr. Neves por ser um gesto de gentileza, mas sobretudo por ocupar a rua, o espaço público com o seu sustento e ao mesmo tempo lançar o olhar às pessoas que estão ao nosso redor, que transitam como invisíveis, as pessoas em situação de rua.

Olhei o facebook e muitos amigos curtiram a publicação e pediram para que eu alterasse a privacidade da foto e a deixasse como “pública”, para que mais pessoas soubessem da ação.

Acordei às 6h da manhã para ir à uma entrevista de estágio, mas decidi passar na banca do Neves, tomar um café e contar sobre a publicação. Contei que o post tinha mais de 10.000 curtidas e ele me respondeu com um sorriso estampado no rosto “menina, eu vi! Até meus filhos de Porto Alegre ficaram sabendo e compartilharam a foto! Gente, olha aqui, ela é a jornalista que tirou a foto e postou”.

Eu ri e descobri então que o vendedor do café compartilhado é gaúcho, tem 54 anos e está em São Paulo há 9. Neves é analista de suporte técnico e começou a trabalhar vendendo café em 2014.

Quase na hora de ir embora eu perguntei como ele teve a ideia do café compartilhado. Neves disse que quem despertou a ideia foi uma cliente mato-grossense que comprou um café e pediu pra que ele descontasse dois, deixando o outro “compartilhado”. Ele não entendeu e perguntou pra ela do que se tratava.

Depois de ouvir as explicações da moça ele gostou da ideia e pesquisou na internet sobre essa atitude. Descobriu que o café compartilhado ou suspenso já é praticado em países da Europa, mas aqui no Brasil ainda é uma novidade.

Neves decidiu aderir ao gesto e desde então colocou uma lousa para registrar os créditos dos cafés, bolos e lanches compartilhados e oferece estes créditos às pessoas em situação de rua, mas disse que na maioria das vezes acaba dando mais do que está registrado na lousa.

O Sr. Neves fica na Rua da Consolação (em frente ao número 318), de segunda à sexta em dois horários: das 5h30 às 11h e das 17h30 às 22h!

Aqui tem o link do Google Maps da localização exata: https://www.google.com.br/maps/@-23.547567,-46.644239,3a,75y,37.95h,78.93t/data=!3m4!1e1!3m2!1snyO3P8zlpwXtCK7jTVpuPA!2e0

Sr. Neves e sua banquinha no começo da Rua da Consolação.

Fonte: https://jornalistasquenaoescrevem.wordpress.com

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