Pianista brasileira leva o Grammy de melhor disco de jazz latino

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Gilberto Gil e a pianista Catina DeLuna acabaram perdendo na noite em que brilharam a cantora Taylor Swift e Kendrick Lamar

A pianista brasileira Eliane Elias (55) ganhou o Grammy de melhor disco de jazz latino na premiação de segunda-feira (15) da 58ª edição do prêmio de música mais popular do mundo. Radicada há 35 anos nos Estados Unidos, a paulistana levou o troféu com “Made in Brazil”, seu 24º disco.

Outros brasileiros indicados não tiveram o mesmo sucesso. Gilberto Gil e a pianista Catina DeLuna acabaram perdendo na noite em que brilharam a cantora Taylor Swift e o rapper Kendrick Lamar. Este venceu quatro das 11 indicações que concorreu, levando todos os prêmios de rap, incluindo melhor álbum por “To Pimp A Butterfly” e melhor música por “Alright”.

Já Taylor Swift ficou com o principal prêmio, o de álbum do ano por “1989”, surpreendendo quem esperava nova vitória de Lamar, o grande favorito na categoria e líder de indicações.

Swift se transformou na primeira mulher a ganhar duas vezes o principal troféu do evento, além de ficar também com o gramofone de melhor álbum pop vocal e de melhor videoclipe por “Bad Blood”, em uma parceria dela com Kendrick Lamar.

Afinal, quem é Eliane Elias?

Vencedora do Grammy 2016 na categoria Jazz Latino, mas praticamente desconhecida em seu País, a pianista é cultuada no exterior desde os anos 1980

Radicada nos Estados Unidos há 35 anos, a pianista, cantora e compositora paulistana Eliane Elias construiu sólida carreira internacional, a despeito de praticamente ser desconhecida em seu próprio País. Com 24 álbuns solo lançados no mercado norte-americano, após sete indicações, Eliane conquistou, na última terça-feira (15), o primeiro Grammy de sua carreira, na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino, premiação conferida a Made In Brasil, álbum lançado em 2015, pelo selo Concord, com repertório composto por clássicos de nossa música popular, como Águas de Março, de Tom Jobim, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Rio, de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal que, aliás, participa do trabalho cantando e tocando guitarra.

Eliane começou a estudar música em casa, aos seis anos de idade, por influência de sua mãe, Lucy, pianista clássica. Aos 13, ingressou no CLAM – Centro Livre de Aprendizado de Música, tradicional conservatório paulistano criado pelos integrantes originais do Zimbo Trio, o pianista Amilton Godoy, de quem foi aluna, o contrabaixista Luiz Chaves, morto em 2007, e o baterista Rubinho Barsotti. Aos 16 anos, Eliane começou a compor e a fazer no País suas primeiras apresentações profissionais.

Experimentada, durante uma turnê em clubes de jazz europeus, aos 21 anos, em 1981, foi encorajada a se mudar para os Estados Unidos pelo contrabaixista Eddie Gomez, que a convidou para integrar o quinteto Steps Ahead em substituição ao pianista Don Grolnick. No grupo, conheceu o saxofonista tenor Michael Brecker, irmão de seu futuro marido, o trompetista Randy Brecker, pai de sua filha, a cantora Amanda Brecker (hoje, Eliane é casada com Marc Johnson, contrabaixista de sua banda).

A permanência da pianista brasileira no Steps Ahead foi consagrada com o trabalho mais elogiado do grupo, um LP homônimo lançado em 1983. Três anos mais tarde, Eliane deu início à sua discografia autoral com o álbum Amanda, uma homenagem à filha, então recém-nascida. Feito em parceria com o ex-marido, Randy, e marcado por fusões com instrumentos eletrônicos, apesar de contar com a participação do saxofonista Sadao Watanabe, o trabalho não gerou grande repercussão.

No entanto, em 1988, Eliane assinou contrato com a Blue Note, um dos mais importantes selos da história do jazz norte-americano, e lançou o álbum So Far So Close, primeiro de dez títulos feitos para a gravadora e marco inicial de uma discografia repleta de títulos celebrados pela crítica musical, entre eles, Eliane Elias Plays Jobim (Blue Note, 1989), Cross Currents (Denon Records, 1989),Fantasia (Blue Note, 1992), Impulsive (Stunt, 1997) e Something For You: Eliane Elias Sings & Plays Bill Evans (Angel Records, 2008).

Em 1994, ao lado do legendário jazzista Herbie Hancock, Eliane lançou, também pela Blue Note, Solos & Duets, um dos pontos altos de sua carreira. No álbum, o duo de pianistas divide harmonias e solos em seis dos 11 temas – composições de Eliane e standards brasileiros e norte-americanos, como Asa Branca, Autumn Leaves e The Masquerade is Over.

Apaixonada por jazz desde a adolescência, quando passou a executar e transcrever solos de ídolos do piano como Bill Evans, Art Tatum e Bud Powell, Eliane também é devota da melhor produção da música popular brasileira pós-bossa nova, celeiro de grandes pianistas da canção e da música instrumental, como Tom Jobim, Johnny Alf, Dick Farney, Tenório Jr., Dom Salvador, Manfredo Fest e Luiz Carlos Vinhas. Na fusão de fortes características dessas duas tradições, o caráter de improvisação do jazz e o universo harmônico e sincopado da bossa, despertou grande fascínio no público estrangeiro.

Nesses 35 anos em que Eliane Elias se consolidou fora do País, a música popular de matriz nacional que tanto fascina estrangeiros – sobretudo a bossa nova e a MPB dos anos 1970 – sofreu uma queda vertiginosa de qualidade. Talvez por isso, o grande público brasileiro, cúmplice auditivo da derrocada fomentada de forma vil por nossa indústria fonográfica, desconheça o trabalho de Eliane. Afinal, com o perdão da patrulha estética, bem mais que bim-boms e ho-ba-la-lás – para citar dois clássicos de João Gilberto – aos ouvidos de grande parte dos brasileiros, hoje parece interessar apenas lepo-lepos, bará-bará-barás e tra-tra-tras, neologismos do funk carioca, do arrocha e do sertanejo universitário.

MAIS

Ouça o álbum Solos & Duets, com participação de Herbie Hancock
Veja também vídeo de Eliane e Herbie, em sessões de estúdio do álbum

Fonte: http://brasileiros.com.br/

 

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