Vencedor do “Nobel da Arquitetura” libera gratuitamente projetos de moradias populares

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Alejandro Aravena, vencedor do ‘Nobel da Arquitetura’, libera quatro projetos de habitação popular para uso livre e gratuito

Alejandro Aravena, arquiteto chileno que venceu o prêmio Pritzker de 2016, anunciou que fornecerá quatro de seus projetos mais famosos de forma gratuita. Os projetos arquitetônicos agora são open source, ou seja, poderão ser usados e adaptados de forma livre por qualquer interessado.

O anúncio foi feito em um debate com os vencedores do prêmio, o principal da arquitetura, na sede das Organizações das Nações Unidas em Nova York. Para Aravena, hoje os arquitetos devem trabalhar juntos para responder ao desafio das ondas migratórias que têm acontecido ao redor do globo. Com a liberação de seus projetos, defende, não há mais desculpas para que o mercado e os governos não invistam em bons projetos de moradia popular.

O chileno ficou conhecido principalmente na última década por seus projetos de habitação popular e atuação no debate sobre políticas públicas habitacionais. Um de seus projetos mais conhecidos, de 2004, é um conjunto de moradias populares feitas com blocos de concreto, construídas de forma a permitir que fossem adaptadas às necessidades dos moradores.

São quatro projetos desse tipo de moradia popular, feitos sob a chamada abordagem ‘incremental’ arquitetônica, que estão agora disponíveis para download gratuito no no site do escritório de arquitetura de Aravena, o Elemental. Os rascunhos oferecem elementos básicos para a construção de moradias de baixo orçamento.

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Estão disponíveis  os projetos das moradias Quinta Monroy, Lo Barnechea e Villa Verde, implementados no Chile entre 2013 e 2014, e Monterrey, executado no México em 2010. Todos são projetos que o escritório acredita que tenham sido bem-sucedidos em seus objetivos.

Segundo o Elemental, em 2020 cerca de 1 bilhão de moradores de cidades ao redor do mundo estarão vivendo abaixo da linha da pobreza. Isso impõe aos governos o desafio de criar habitações populares em larga escala. Com a iniciativa, o arquiteto espera que líderes políticos e o mercado vejam que a construção de habitação social não é cara. A ideia também é que os projetos sirvam como estudo e inspiração para outros arquitetos.

Projetos não resolvem questões habitacionais de todos os lugares

O fato de o projeto ser disponibilizado, no entanto, não significa que ele poderá ser utilizado – e nem que essa é a melhor opção para solucionar um problema habitacional. Para Elisabete França, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, a habitação de interesse social tem especificidades relacionadas à cultura e às características da cidade ou país em que ela será implementada.

Ela cita o exemplo do Rio de Janeiro, em que a topografia impõe outros desafios aos projetos, e à São Paulo, em que a falta de terrenos obriga à verticalização. Para ela, os projetos open source de Aravena não resolveriam as questões mais prementes da realidade brasileira e “até soa um pouco demagógico”. “Nosso problema não é a falta de bons arquitetos, é sim de definição de políticas públicas centradas nos bons projetos para a construção de cidades melhores”, diz.

Esta também não é a primeira vez que um arquiteto decide disponibilizar projetos de forma gratuita e aberta para livre uso e adaptação. Iniciativas  como o Wikihouse fornecem projetos, a maior parte de baixo custo, para construção de habitações sustentáveis. OPaperhouses  tem projetos livres de arquitetos conhecidos como Derek Dellekamp e Tatiana Bilbao.

Assista a entrevista:

Fonte: https://www.nexojornal.com.br

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