‘A Menina e o Leão’ é um longa-metragem fofo, porém polêmico

Filme conta a aventura de uma garota criada junto a um leão, que rapta o felino para que ele possa viver livre na selva, longe da ação e caçadores e turistas cruéis

“A Menina e o Leão”, que entrou em cartaz este ano nos cinemas, é um filme que divide opiniões. Por um lado, o longa chama a atenção para uma problemática real e preocupante em relação à criação de leões em cativeiro e à caça ilegal destes animais na savana africana. No entanto, por outro lado, a obra explora ao máximo a “fofura” da relação entre a menina e o leão, o que pode gerar um aumento na ilusão de que um animal selvagem pode ser tratado como bicho de estimação. À parte da polêmica ambiental, a obra de Gilles de Maistre tem aspectos positivos e negativos muito latentes, que vão desde o enredo, passando pela trilha sonora, a fotografia e, claro, pela interação entre a menina e o leão.

No longa, a menina Mia (Daniah de Villiers), de 10 anos, está revoltada por ter deixado a vida em Londres para morar com a família em uma fazenda de criação de leões na África do Sul. Sem amigos, ela se apega a um filhote de leão branco, raríssimo, que nasceu em sua fazenda. Ela e o irmão, Mick (Ryan MacLennan), tratam o animal como um gatinho e lhe dão o nome de Charlie. Quando ele cresce, a família obriga Mia a deixá-lo na jaula, como os outros leões. O tempo passa e a amizade entre a menina, agora uma adolescente, e o leão cresce. Quando um acidente acontece, o pai de Mia, John (Langley Kirkwood) decide vender o valioso animal. O problema é que há muitos compradores que adquirem esses bichos para vendê-los a turistas cuja diversão é matá-los e exibir seus corpos como se fossem troféus.

Como Mia vê um desses assassinatos, ela sente a necessidade de salvar seu Charlie deste triste fim. Com a ajuda do irmão, ela foge e ruma para uma reserva ambiental onde seu leão poderá viver em paz, livre de caçadores. O caminho, porém, não é fácil e Mia tem de fugir da polícia, de seu pai e do comprador de Charlie, que seguem à sua procura. Além disso, Mia também tem de sobreviver à fome, à sede e ao calor. 

Três anos de filmagem

Para contar essa história, Gilles de Maistre filmou durante três anos. O tempo era necessário para criar uma relação de confiança entre o animal e a atriz. As cenas em que os dois brincam impressiona muito. Para que isso fosse possível, o treinador de leões Kevin Richardson acompanhou a equipe ao longo do processo e, além dele, apenas Daniah e Kirkwood podiam interagir com o animal. Além de Charlie, outros cinco leões participam do filme e, após o término da produção, os seis felinos foram viver na reserva de Richardson.

Filmes que contam a amizade entre animais e crianças são sempre tocantes. Quando o animal é um leão, então, difícil não se encantar – mesmo que isso vá contra princípios éticos por conta de questões ambientais e liberdade dos animais. Sem muito esforço, a trama já é suficiente para emocionar o público. O problema é que Maistre apela para o sentimentalismo ao abusar das cenas de “fofura”; ao usar uma trilha sonora desnecessariamente dramática. Assim, ele cria no espectador um desejo mais de posse do que de libertação desses animais selvagens.

Como a ideia é alertar as pessoas para a crueldade dos safáris e defender a vida dos animais livremente em seu hábitat, o filme poderia ser menos propositadamente dramático e mais focado nestas ações ilegais que geram ainda uma grande renda na África. De qualquer forma, “A Menina e o Leão” é um filme simpático e de belas paisagens. 

Fonte:
https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/a-menina-e-o-leao-e-um-longa-metragem-fofo-porem-polemico-1.2178771

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