Catador ganha Kombi de moradores após distribuir cartinha em caixas de correspondência em Porto Alegre

Sua ideia inicial era arrecadar, com a venda de material reciclável, o necessário para consertar a velha Kombi que havia pifado em fevereiro.

Só que a missão se mostrou inviável: com a carroça no lugar da perua, sua renda tinha despencado – e o dinheiro “só dava para comer e sobreviver”. Paulo, então, escreveu uma carta à mão. Depois, pediu para o funcionário de uma lan house digitar o texto no computador e imprimir. Começava assim:

“Sou o Paulo da Kombi, eu trabalho no centro de reciclagem e carretos, peço sempre a Deus que dê muita saúde e felicidade a todos. Infelizmente minha Kombi estragou novamente, fundiu o motor, mas eu acho que não vale a pena porque está muito velha, por isso eu queria comprar outra Kombi que não tenha mais perigo de estragar, mas pra isso eu precisaria de R$ 5 mil pra dar de entrada”.

Paulo sublinhava no texto, antes de revelar seu celular, que só queria um empréstimo: “Prometo pagar a todos. Peço ajuda com qualquer valor, se não puder não tem problema”. E o telefone começou a tocar, tocar e tocar – alguns oferecendo R$ 20, outros R$ 50, outros R$ 200, e ninguém aceitava que Paulo devolvesse nada. Assim ele juntou R$ 2 mil, o que ainda era pouco.

– Aí nós fizemos dúzias de ligações – lembra a corretora de imóveis Estela Vizcaychipi, 36 anos, que, após se comover com a carta, iniciou com o marido, Marcos Chagal, 42, uma mobilização entre amigos e familiares.

Os dois conseguiram outros R$ 5 mil. E, com o dinheiro na mão, Paulo foi a uma concessionária prometendo que adesivaria a frase “Deus é fiel” na lataria. Nem precisou: parece inacreditável, mas havia na loja uma Kombi de 1998 que, na traseira, exibia um adesivo exatamente com essas palavras.

– Foi mensagem de alguém lá de cima. Aquela era a Kombi que Deus me mandou – afirma ele.

No fim das contas, Estela e Marcos botaram mais R$ 7 mil para que o veículo fosse comprado à vista. Paulo garante que vai devolver o valor em sete parcelas de R$ 1 mil.

Fonte: De Olho em Porto Alegre

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