Contra trabalho infantil, Peru cria selo para certificar empresas familiares

O Peru registra a maior taxa de trabalho infantil da América do Sul: 21% das crianças e dos adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham.

Para enfrentar o problema, governo e ONGs estão criando um selo para certificar as empresas familiares que não utilizam menores nas lavouras.

Cerca de 1500 famílias serão avaliadas e tentarão obter a certificação em 2020 para produtos de exportação como café, aspargos ou cranberry. Para isso, o governo criou um selo especial, com a ajuda da ONG “Desenvolvimento e Autogestão”, criada no Equador em 1988 e que atua desde 2007 na Bolívia, Argentina e Peru.

Segundo a diretora da organização, Maria Gloria Barreiro, o trabalho infantil no Peru é rural, em áreas dificilmente monitoradas pelo governo. Por isso as organizações de pequenos produtores, explica, são o foco da certificação pública, que reconhecerá esforços para prevenir o abuso. “Não se trata de proibir que as crianças ajudem dentro de casa, mas traçar essa linha que divide a ajuda em casa, as atividades de aprendizagem e que contribuem para a formação da criança e o trabalho infantil de fato”, declara.

O peruano Paul Quezada, representante de uma cooperativa de cafeeiros no distrito de Villarica, no centro do país, espera que a certificação melhore as condições de vida dos produtores. “O preço do café está muito baixo e somos pouco competitivos no mercado externo. Fala-se muito em tirar as crianças das lavouras e deixá-las estudar, mas com os preços baixos, os agricultores não têm condições de enviar os filhos para a escola”, diz. O objetivo a longo prazo é que os produtos com o selo “livre de trabalho infantil” possam obter um preço diferenciado no mercado, como os produtos orgânicos.

Consumidor tem papel essencial

No México, um selo semelhante existe desde 2010. Hoje, 178 empresas do setor agrícola estão certificadas. No país, explica Jorge Montenegro, subdiretor da Secretaria do Trabalho, exige-se que os produtos exportados, independentemente da qualidade, não sejam fruto da mão-de-obra infantil em sua fabricação. “Esse é um dos primeiros incentivos”, frisa.

Para a representante da ONG peruana, o consumidor tem um papel fundamental. “Quando você está tomando um café em Paris, não sabe se esse café foi produzido por crianças que deixaram de ir à escola. Por isso o selo é também um chamado ao consumo responsável”, enfatiza Maria Gloria Barreiro. Ela reconhece que a implantação do selo deve vir acompanhada de programas sociais para melhorar a situação dos pequenos produtores e garantir o acesso à escola para seus filhos.

Fonte: MSN

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