O poder que vem dos chás

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O poder que vem dos chás
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Para enfermidade, ansiedade, dor ou inflamação, há sempre um tipo diferente de chá que pode ser tomado. O Ciência & Saúde desta semana explica o universo colorido, popular e, por vezes, misterioso, dos chás

Da terra, brotam muito da força e da energia que o corpo precisa, através do poder de raízes, folhas, flores, sementes e frutos. Atravessando as fronteiras geográficas, esses recursos naturais são difundidos, hoje, em todo o mundo na forma de chás. A bebida milenar, feita por infusão ou cozimento, vem das plantas medicinais e tem um tanto da sabedoria popular, passada em receitas de avós, pais e raizeiros. Para cada enfermidade, ansiedade, dor ou inflamação, um tipo diferente de chá pode ser tomado. Alguns trazem um sabor carregado e amargo, outros são suaves e refrescantes.

As diferenças são muitas, mas algo essas plantas medicinais têm em comum: apesar de a comunidade científica ainda não ter comprovado a eficácia das muitas receitas que se tem mundo afora, o certo é que o poder dessa natureza é inegável. A estudante Vérica Fiúza, 25, confirma essas propriedades dos chás em seu dia a dia. Ela toma diversos tipos desde a infância, estimulada pela família, que não costuma usar medicamentos vendidos nas farmácias de modelo tradicional. “Costumo tomar ban-chá, chá verde e o de capim santo. Não é uma obrigação, tomo quando sinto vontade”.

 

Todavia, uma recente torção no joelho, provocada por uma queda, obrigou a estudante a ficar de cama por cerca de um mês. O tratamento foi todo caseiro, baseado no chá de crajiru – que tem poder anti-inflamatório -, compressas de gelo e exercícios pontuais, que têm o efeito da fisioterapia. “Quando tenho algum problema inflamatório, tomo o crajiru três vezes ao dia, por até um mês. Minha vó planta em casa”. O período de recuperação foi mais lento, se comparado à utilização dos medicamentos convencionais, mas Vérica não se desestimula. Apesar disto, quando se recuperou do trauma no joelho, resolveu ir a um médico, que receitou fisioterapia.

 

Efeitos adversos

Médica homeopata, Erotilde Honório tem o costume de receitar chás aos seus pacientes, quase sempre aliados a um medicamento homeopático – forma de terapia alternativa que faz parte de um sistema de cura natural da pessoa. Sendo assim, ela alerta que as pessoas que costumam tomar chás devem ficar atentas aos sinais do corpo e seguir as doses corretas das plantas. Portanto, nada de doses descompassadas e extravagantes, que vão provocar efeitos adversos no corpo. 

“É preciso ter muito cuidado ao administrar esses chás. A saúde tem de ser tratada com cuidado e por profissionais”, alerta. Cada pessoa tem um ritmo de vida e um histórico médico muito particular. Esses fatores são levados em conta quando um indivíduo passa a tomar qualquer tipo de medicamento, inclusive, os chás. “Na medicina não tem verdades absolutas. O efeito de uma determinada substância em seu corpo pode ser diferente no meu”, lembra a médica.

 

Partindo da premissa popular que diz “tudo demais é veneno”, Mary Anne Medeiros Bandeira, farmacêutica e coordenadora do programa Farmácia Viva da Universidade Federal do Ceará (UFC), corrobora com a postura de Erotilde. Ela lembra que as plantas carregam diversas substâncias em sua composição e, se tomadas de forma irresponsável e indiscriminada, podem trazer efeitos adversos e complicações. “Muitas pessoas acham que se é planta, se é natural, não pode fazer mal. Então, tomam doses extravagantes dos chás. Aí é que elas se enganam e erram gravemente, porque essas doses podem ativar propriedades nocivas que ficam equilibradas nas medidas regulares”.

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