Pesquisa: a vida melhorou, graças a Deus

Pesquisa: a vida melhorou, graças a Deus
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Quer vencer na vida? Trabalhe e tenha fé em Deus. A conclusão não surgiu de estudo científico ou livro de autoajuda, mas de pesquisa com 3 mil pessoas em 53 cidades. Para o senso comum, a melhora nas condições sociais, financeiras e educacionais ocorreu graças ao próprio empenho e a uma fundamental forcinha divina, ou seja, com mínima participação das três instâncias de poder do governo.

Para 52% dos entrevistados, a labuta ainda é a maior responsável por proporcionar a realização de sonhos e o pagamento das contas. Com 31%, a religião aparece em seguida como fator fundamental para o sucesso. A família também tem papel de destaque para 13% dos ouvidos. Governo (2%), sorte (1%) e patrão (1%) aparecem na “rabeira” dos motivos que levam a uma vida mais digna.

Conforme a pesquisa do Instituto Data Popular, a maioria (67%) acredita que a vida da população realmente melhorou no último ano. O otimismo no próprio desempenho é visível. Para 85% das pessoas, 2015 será um ano de conquistas pessoais. Em contrapartida, é evidente a total descrença com a política, suas controversas figuras e os serviços oferecidos pelas instituições públicas.

Insatisfação

Ao todo, 55% concordam que o Brasil seria melhor sem partidos políticos. Para 57%, o País está no caminho errado quando se fala em desenvolvimento. A avaliação mostra ainda que o brasileiro está mais exigente. A saúde recebeu apenas 3,73 de nota, em escala de zero a dez. Se pudessem escolher, 71% usariam hospitais e postos de saúde particulares. Educação (4,56), segurança (3,64) e transporte (3,87) comprovam a insatisfação. Na opinião de Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, a população gostaria de encontrar no serviço oferecido pelo governo a mesma eficiência da iniciativa privada.

“O brasileiro começa a entender que os serviços públicos não são favor do governo, e sim contrapartida dos impostos que ele paga. Não adianta o Estado oferecer um serviço gratuito, tem que ser de qualidade”, afirmou. Por descrença, a população mergulha no trabalho para comprar casa própria, ter plano de saúde e ajudar o filho a pegar diploma na faculdade.

A recepcionista Fátima Silva, 43 anos, espelha essa realidade. Conquistou um novo veículo neste ano. Depois de cinco anos, substituiu o Corsa por um Crossfox. “Queria trocar faz tempo por um modelo com ar-condicionado e direção.”

A rotina é puxada. Trabalha em dois lugares. Das 7h30 às 15h30, fica em uma empresa. Depois, ajuda no comércio mantido pelo marido até 20 horas. Fátima sabe que só com esforço pessoal é possível galgar outros degraus e, portanto, não permanecer no mesmo lugar para sempre. “Tem que correr atrás para conseguir as coisas. O governo não dá nada para ninguém. Eu tenho muitos sonhos. Quero ter uma Hilux (caminhonete). Preciso trabalhar bastante.”

A doméstica Edinailda Batista de Paula, 36 anos, realizou o sonho da casa própria após pagar aluguel durante longos 13 anos. Natural de Paranaíba, Mato Grosso do Sul, mudou para Rio Preto com objetivo de trabalhar e assim oferecer conforto, melhoria e dignidade para a família. “É bom quando a gente trabalha e pode fazer as coisas que tem vontade.”

Ela e o marido, André, que é cozinheiro, trabalham bastante para equilibrar o orçamento. Além dos trabalhos normais em horário comercial, ambos atuam em festas à noite e nos fins de semana. Edinailda, no entanto, não reclama. Como a pesquisa deixa claro, é trabalhar e ter fé que vai melhorar.

População está mais crítica

A qualidade do serviço público não piorou de forma significativa. Na realidade, os problemas, necessidades e gargalos sempre existiram, com uma ou outra variação. A população é que está mais crítica e consciente de seus direitos.

O economista e professor da faculdade Dom Pedro II, Bruno Sbrogio, explica que a nova classe média brasileira passou a ser mais bem remunerada. Por consequência, teve acesso à informação, ingressou no ensino superior e começou a questionar os serviços prestados pelo governo.

“Quanto mais se ganha, maior é o imposto. Chega uma hora em que o contribuinte percebe: paga muito e não recebe no momento em que precisa, de um atendimento decente. Descobre que alguma coisa está errada e fica muito descontente.”

Para Sbrogio, esse desequilíbrio na equação pagamento de imposto/acesso a serviços elementares faz o cidadão perder a crença no serviço público.

 

Font: http://www.diarioweb.com.br/

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