Professora brasileira ‘enfrenta’ cerca de arame farpado para levar educação a alunos paraguaios em quarentena

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Cerca foi instalada na fronteira pelo Exército Paraguaio em março, após agravamento da pandemia da covid-19 no país.

Uma professora brasileira encontrou uma maneira inusitada de superar a limitação da cerca de arame farpado que separa o Brasil do Paraguai, na região de Mato Grosso do Sul, para que os estudantes que estão do outro lado da fronteira, em isolamento social por conta da pandemia da covid-19, não sejam prejudicados com a interrupção das aulas presenciais.

Tânia Loureiro da Silva é professora e diretora da escola municipal João Carlos Pinheiro Marques, em Ponta Porã, no Brasil. A cidade é separada por uma linha imaginária de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, mas desde o dia 18 de março, com o agravamento da pandemia no país vizinho, a fronteira foi fechada e uma cerca de arame farpado instalada pelo Exército paraguaio.

Essa foi a primeira vez que uma barreira física foi instalada para separar as duas cidades. A professora conta que na escola, quase metade dos alunos são paraguaios e que com a fronteira fechada e sem acesso a internet, situação vivenciada pela maioria dos estudantes, eles estavam perdendo conteúdo.

Inconformada com a situação, ela buscou uma alternativa. Uma vez por semana, a professora caminha cerca de 5 minutos até a cerca que agora separa o Brasil do Paraguai para entregar, por cima do arame farpado, as atividades aos alunos.

“Tive que pensar numa maneira de me interpor nesse arame. Falei com os militares se eu poderia ir e entregar. Então eu fui e entreguei [atividades]. Na minha opinião a educação não pode parar”, explicou.

Conforme Tânia, a escola e nem os alunos estavam preparados para essa quarentena e para que os estudantes paraguaios não saíssem prejudicados, o jeito foi ir até a linha de fronteira entregar as atividades.

Segundo a estudante paraguaia, do 7º ano, Fernanda Barreto Ferreira, toda semana faz questão de estar na fronteira para o encontro que é fiscalizado pelos militares do exército paraguaio, do outro lado. A aluna ainda reforça a importância de continuar com os exercícios: “Eu acho legal essa saída que ela [professora] teve, porque nós não podemos parar de estudar”, explicou.

Ainda de acordo com a professora, como muitos alunos são pequenos, os pais passam para pegar as atividades. A dona de casa Gabriela Candia, conta que é uma grande ajuda, pois os filhos não têm acesso a internet: “Tem muitas famílias em casa que não tem impressoras, como nós. Isso facilita e muito o trabalho das crianças”, afirma.

Com dois filhos na instituição, o autônomo paraguaio Roque Florentino conta que tem muita gratidão pela professora que ensina seu filho, que nasceu no Brasil.

“São poucos os que tem coragem de enfrentar essa situação como a professora Tânia”, finalizou.

Fonte: https://g1.globo.com/

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