Relaxante muscular ajuda a reduzir alcoolismo, mostra estudo

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Relaxante muscular ajuda a reduzir alcoolismo, mostra estudo
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Utilidade do baclofeno contra a dependência foi popularizada no livro ‘A última bebida’.

O relaxante muscular baclofeno pode ajudar na redução do consumo de bebidas alcoólicas entre dependentes da substância, de acordo com os resultados finais de dois estudos publicados na ultima sexta-feira (17), na França.

Os estudos, batizados de Alpadir e Bacloville, foram apresentados para coincidir com a conferência anual da Sociedade Francesa de Alcoologia em Paris. Eles confirmam os primeiros resultados apresentados em 2016 no Congresso Mundial de Alcoologia, em Berlim.

Os resultados finais do Bacloville, patrocinado pela Assistência a Hospitais Públicos de Paris (AP-HP), confirmam um “efeito positivo” do baclofeno em altas doses na redução do consumo de álcool após um ano de tratamento. O estudo, conduzido sem seleção ou uma abstinência anterior, incluiu 320 pacientes entre 18 e 65 anos, acompanhados por clínicos gerais entre maio de 2012 e junho de 2013.Havia doentes “de todos os tipos, como na vida real, incluindo aqueles que tiveram depressão, viciados ou pacientes que sofrem de cirrose”, apontou Philippe Jaury, coordenador da pesquisa.

Feita por sorteio, a experiência de Bacloville procurou comparar a eficácia e segurança de baclofen em altas doses com um placebo em pacientes alcoólatras que não foram convidados a parar de beber. Os resultados apresentados por Jaury confirmam o sucesso do tratamento: a abstinência ou a redução do consumo em 56,8% dos pacientes tratados, contra 36,5% daqueles que receberam o placebo.

RESULTADOS EXCEPCIONAISJaury comemorou a redução do consumo de álcool “em mais de um em cada dois pacientes”. “São resultados muito interessantes, até excepcionais, uma vez que a cada 12 minutos, um francês morre por causa do álcool”, disse.

Foram realizadas também análises sobre a tolerância e a segurança do tratamento. Os dois estudos revelam efeitos secundários mais frequentes com o baclofeno, incluindo insónia, sonolência ou depressão (44% dos casos, em comparação com 31% dos doentes com placebo, de acordo com o estudo Bacloville).

Mortes foram registradas durante o estudo Bacloville, tanto no grupo de pacientes tratados com baclofen quanto com placebo, de acordo com o especialista, que destaca a fragilidade dos doentes envolvidos.

“O baclofen reduz o consumo de álcool em um caso de dois, que não é tão ruim”, analisa Michel Reynaud, presidente do Fundo de Ações em Vícios. Para o especialista, responsável pelo estudo Alpadir, “esta droga é um plus no arsenal terapêutico” contra o alcoolismo.

O estudo Alpadir durou sete meses e envolveu 320 pacientes, divididos em dois grupos por sorteio (158 receberam baclofen em doses de 180 mg/dia e 162, placebo).

Não foram registrados problemas graves, mas os pesquisadores procuraram não incluir pacientes em condições mais delicadas (como por cirrose avançada), filhos de suicidas ou usuários de drogas.

Para a abstinência, o principal obetivo do estudo, a eficácia do baclofeno não foi superior à do placebo. De acordo com Reynaud, isto se deve a uma maior expectativa dos pacientes pela diminuição do consumo de álcool. O declínio no consumo observado foi maior no grupo tratado com baclofeno e ainda mais acentuada em alcoolatras de alto risco.

O baclofeno foi popularizado pelo livro “O fim do meu vício”, em que o cardiologista Olivier Ameisen, hoje falecido, contava como se curou da dependência de álcool por conta da substância.

Fonte: O Globo

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