Casa Fiat expõe quadros de São Francisco em 3D para deficientes visuais

Casa Fiat expõe quadros de São Francisco em 3D para deficientes visuais
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Falar sobre acessibilidade para deficientes visuais e pessoas com baixa visão é diferente de ver a acessibilidade acontecendo ao seu lado.

Falar sobre acessibilidade para deficientes visuais e pessoas com baixa visão é diferente de ver a acessibilidade acontecendo ao seu lado.

Fomos convidados pela Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, para acompanhar o lançamento de três peças em 3D da exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos” para apreciação tátil, na tarde de terça-feira (18).

Fizemos companhia ao primeiro grupo de deficientes visuais a tocar as peças – uma oportunidade que vamos lembrar com bastante carinho. Cada um deles, do início ao fim do percurso da mostra, foi acompanhado por um audioguia preparado para tirar suas dúvidas e curiosidades.

Alguns professores de História, outros artistas visuais, os audioguias pacientemente descreviam os três núcleos da mostra (“Imagem”, “Estigmas” e “Conversas Sagradas”) e algumas de suas obras – personagens, lugares e a narrativa contada.

Os convidados também exploraram outras ferramentas que promoviam sua acessibilidade, como material informativo em tablets e objetos sensoriais, para uma fruição completa da exposição.

A cada expressão dos convidados, de descoberta, acolhimento ou de gratidão, vimos a acessibilidade acontecer, sem intermediação. De forma empírica, compreendemos a importância dessas pessoas acessarem um espaço essencialmente visual. Parece algo difícil de acontecer, mas estávamos lá e vimos que é possível.

O final do percurso reservava o momento mais aguardado, pelos convidados e por nós também: a apreciação tátil de três quadros, um de cada núcleo da exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”. Depois de ouvirem a descrição das peças, os deficientes visuais puderam senti-las na ponta dos dedos.

Antes de falarmos sobre esse momento, vale destacar o empenho dos designers da Fiat que projetaram as peças em três dimensões. Afinal, estão habituados a criarem carros, e não obras de arte. Os designers colocaram sua inteligência a serviço de um grupo de pessoas que vive uma realidade distante da sua.

O que nos permite acreditar que é possível fazer a diferença na vida de outra pessoa não importa qual seja sua área de atuação. E até mesmo usar essa experiência para resolver problemas ou propor inovações no seu trabalho.

Pelos depoimentos das pessoas com quem conversamos, enquanto ainda tocavam as peças, os designers merecem uma estrelinha. Na verdade, todos os profissionais envolvidos na adaptação da mostra cumpriram bem o desafio da acessibilidade.

Simane, Isaulina e Renato Júnior parabenizaram à Casa Fiat de Cultura por possibilitar o acesso a obras de artes seculares com recursos diferentes daqueles que já tinham experimentado em outras exposições e disseram como estavam se sentindo.

“Estou me sentindo bem. Acho importante a oportunidade de tocar as peças. Consigo perceber as peças. Os guias são muito bons, parecem já ter experiência com deficientes visuais. Muito bom”, conta Simane, que nasceu sem enxergar.

Fonte: Razões para Acreditar

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