Coral de colégio carioca fica em primeiro lugar em festival internacional

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Jovens do Colégio São Vicente, que conquistaram jurados na Áustria, fizeram ‘vaquinha’ para viajar

O plano era ousado — cantar Mozart na terra de Mozart —, mas deu certo. O coro juvenil São Vicente a Cappella, composto por alunos e ex-estudantes do ColégioSãoVicentedePaulo , no CosmeVelho , conquistou o primeiro lugar no maior festival de música jovem de orquestras, coros e bandas do mundo, o Suma Cum Laude — International Youth Music Festival, realizado em Viena. O grupo, que empatou na primeira posição com o coro KwaZulu-Natal Youth Choir, da África do Sul, ainda vai fazer mais três concertos na Áustria, antes de voltar para casa. Clique aqui e veja o vídeo.

Mas até apresentar “Ave verum corpus” e conquistar os jurados, o coral, com seus 37 integrantes, teve que se esforçar. Sem qualquer patrocínio, os jovens e a professora Patricia Costa, diretora do grupo, prepararam duas campanhas de financiamento coletivo, além de feijoada, rifas e concertos com bilheteria, para conseguir viajar. As famílias dos estudantes também ajudaram, e o grupo conseguiu arrecadar o que precisava para custear passagens e hospedagem dos cantores, que só tinham uma experiência internacional no currículo, uma participação no Festival de Mendoza, em 2013, na Argentina

Um coro brasileiro ganhar o primeiro lugar cantando Mozart na terra de Mozart é demais para a gente. E isso porque nós cantamos sobretudo música brasileira — contou Patricia, que levou balões brancos para o palco quando os jovens cantaram “Lua, lua, lua”, de Caetano Veloso.

Após o sucesso em Viena, o coral já recebeu um convite para participar do Festival da Bratislava, na Eslováquia.

Grupo arrecadou R$ 500 mil para viajar

Para viabilizar a ida da comissão formada por 60 pessoas — sendo 37 do coral e 12 educadores musicais e regentes musicais que se engajaram de diversas partes do país, como Paraná e São Paulo, pagando do próprio bolso —eles fizeram um comitê junto com os pais e prepararam duas campanhas de financiamento coletivo, além de feijoada, rifas, concertos com bilheteria, e investimento das próprias famílias dos alunos. Ao todo, eles conseguiram juntar em torno de R$ 500 mil

Pelo sétimo ano participando do coral, o jovem João Pedro Romano, de 22 anos, deseja que o título, que não tem prêmio em dinheiro, seja usado como um trampolim para a divulgação do canto coral no Brasil.

— Acredito que deveria ser obrigatório nas escolas. Cria uma relação de confiança tão forte entre os membros, além de apresentar novos estilos musicais. É muito estranho chegar aqui na Europa e ver criancinhas tocando milhares de instrumentos, cantando músicas sacras, populares, diversos estilos belíssimas e, quando você olha pra nossa realidade, o canto coral no Brasil é associado a “coisa de velho” ou igreja — declara João Pedro.

Fundado em 1999, o Coro Juvenil São Vicente A Cappella é formado por alunos e ex-alunos do Cosme Velho, além de jovens dos arredores da instituição. O objetivo é desenvolver um repertório sem acompanhamento instrumental, explorando peças com um grau de dificuldade considerável e abrangendo diversos períodos da música brasileira erudita ou popular, como baião, maracatu e samba. Os cantores têm entre 12 e 24 anos e as apresentações sempre tem um quê de artes cênicas. “Lua, lua, lua, lua”, de Caetano Veloso, por exemplo, é feita com balões brancos. Já “Águas de março”, que fechou a apresentação do grupo na Europa, eles encerraram com uma simulação de chuva, técnica que aprenderam com o músico paulistano Fernando Barba, do grupo Barbatuques, de percussão corporal.

Desde a década de 1960 é que se tenta quebrar algumas marcas europeias no estilo, como o uso de bata comprida, e propôr coisas diferentes. Por isso o povo daqui fica até meio escandalizado com a gente — ri Patricia. — Agora a gente recebeu convite para o Festival da Bratislava. Quero muito participar de outros festivais em outros lugares, de repente na África do Sul, que empatou com a gente.

Fonte: O Globo

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