SP, 462 anos: Fatos curiosos sobre a cidade – Zona Norte

zn
Visualizado 865 vezes

Zona Norte teve o primeiro estúdio de cinema da capital

Companhia de Cinema Maristela ficava no Jaçanã e fez grandes filmes.

Adoniran Barbosa atuando em A Pensão da D.Stela no estúdio de cinema Maristela (Foto: Reprodução Maristela Filmes)
Adoniran Barbosa atuando em A Pensão da D.Stela no estúdio Maristela (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

O bairro do Jaçanã, localizado no extremo da Zona Norte de São Paulo, ficou conhecido após ser eternizado pela música “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa. Além de ser passagem do Trem da Cantareira (que ligava o Centro da cidade ao reservatório de água Cantareira), o Jaçanã também foi ponto de encontro de artistas renomados que frequentavam o primeiro estúdio de cinema de São Paulo que fora instalado ali.No aniversário de 462 anos de São Paulo, o G1 reuniu curiosidades das 32 subprefeituras da cidade.

Batizado de Companhia Cinematográfica Maristela, o estúdio de cinema nasceu em 1949 após o sonho de Mário Audrá Junior, o Marinho, filho de uma rica família paulistana, do ramo da indústria têxtil, em se tornar um produtor de cinema.

Estúdios da Companhia Cinematográfica Maristela no Jaçanã, Zona Norte de SP (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Estúdios da Companhia Cinematográfica Maristela no Jaçanã, em SP (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

Considerada a prima pobre da Companhia Vera Cruz por trabalhar com orçamento menor, a Maristela recebeu nomes de peso como Procópio Ferreira, Tonia Carrero, Odete Lara e até Adoniran Barbosa.

“A Maristela tinha alojamentos e quando iam fazer noturnas [gravações à noite], as pessoas dormiam lá. Meu pai foi conversar com o governador Adhemar de Barros e pediu para prolongar o horário do funcionamento do trem até as 23h. Daí surgiu a música Trem das Onze de Adoniran Barbosa. Apesar do trem funcionar até mais tarde ninguém ia embora, ficavam ali na boemia”, contou Marco Audrá, filho de Mário Audrá Junior, criador da companhia.

Bastidores da Companhia Cinematográfica Maristela, no Jaçanã, Zona Norte de São Paulo (Foto: Reprodução Maristela Filmes)
Bastidores da Companhia Cinematográfica Maristela, no Jaçanã (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

Quem passa hoje pela área de 18 mil metros quadrados, que abriga a atual Rua Francisco Rodrigues, não imagina que foi um dos primeiros pontos culturais da cidade. Um muro de tijolos de um imóvel é o pouco que restou dos antigos estúdios. Um galpão na esquina com a Avenida Mendes da Rocha era um dos estúdios usados durante as gravações.

“Nunca ouvi dizer que aqui havia um estúdio de cinema. Infelizmente a história não é preservado no Brasil”, disse o aposentado Carlos Eduardo Santos, morador da região. Segundo Marco Audrá, naquela época o assédio aos artistas era pequeno, mas a porta do estúdio vivia cheia de gente. “Era tudo muito novo e as pessoas do bairro ficavam na porta tentando um bico nas produções como figurantes”, afirmou.

Bastidores da Companhia Cinematográfica Maristela, no Jaçanã, Zona Norte de São Paulo (Foto: Reprodução Maristela Filmes)
Bastidores da Companhia Cinematográfica Maristela, no Jaçanã (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

Entre os filmes produzidos pela Companhia, estão Presença de Anita (que deu origem à série homônima da Rede Globo), Meu Destino é Pecar (primeira adaptação de Nelson Rodrigues para o cinema), O Comprador de Fazendas, Mãos Sangrentas e a chanchada Pensão de Dona Stela, onde Adoniran Barbosa está presente com suas composições e também como ator.

Com filmes de baixo custo, a Companhia Maristela não investia em grandes produções. “A ideia era fazer dois ou três filmes por ano e alugar os estúdios para outras produtoras”, disse Audrá. Segundo a família detentora da Maristela, o fundador da Rede Globo, Roberto Marinho, chegou a se interessar pelos estúdios para instalar a futura TV Globo, mas a proposta de compra foi recusada pelo proprietário.

Filme Mãos Sangrentas com Tonia Carrero e Arturo Cordova nos estúdios Maristela (Foto: Reprodução Maristela Filmes)
Filme Mãos Sangrentas com Tonia Carrero e Arturo Cordova no estúdio (Foto: Reprodução Maristela Filmes)

PIRITUBA/JARAGUÁ
O pico do Jaraguá tem 1.135 metros de altura e teve a primeira mina de ouro do Brasil.  O mirante fica localizado entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, por onde passavam os bandeirantes.

Vista do mirante do Pico do Jaguará, ponto mais alto de São Paulo (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Vista do mirante do Pico do Jaguará, ponto mais alto de São Paulo (Foto: Tatiana Santiago/G1)

Ponto mais alto do Pico do Jaragá, na Zona Norte de SP (Foto: Tatiana Santiago/G1)

FREGUESIA DO Ó
A região foi fundada em 1580 quando o bandeirante português Manoel Preto construiu a sede de sua fazenda próxima as margens do rio Tietê. Do Largo Velho da Matriz saíam diversas expedições de bandeirantes. Hoje o local abriga a Igreja da Nossa Senhora do Ó e tem ares de cidade do interior.

Largo da Freguesia do Ó com Igreja Matriz (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Largo da Freguesia do Ó com a Igreja Matriz (Foto: Tatiana Santiago/G1)

SANTANA
O bairro teve início em uma antiga propriedade da Companhia de Jesus chamada “Fazenda de Santana”. A casa sede da Fazenda e a capelinha desapareceram em 1916 e no local foi construído a atual sede do quartel do Exército na Rua Alfredo Pujol. A subprefeitura também abriga o Mirante de Santana, que é a principal estação meteorológica do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

CASA VERDE
A subprefeitura de Casa Verde concentra o maior número de escolas de samba de São Paulo. As antigas terras doadas pelo rei de Portugal aos colonizadores eram cultivadas por escravos da África que viviam nas senzalas. A concentração de negros deu origem ao samba na região que passou abrigar o Sambódromo.

Parque da Vila Guilerme fazia campeonato de trote e reunia elite paulistana (Foto: Tatiana Santiago/G1)
Parque da Vila Guilerme fazia campeonato de trote e reunia elite paulistana (Foto: Tatiana Santiago/G1)

VILA GUILHERME
Quem se exercita atualmente no Parque do Trote, na Vila Guilherme, não imagina que as pistas de terras que são usadas para caminhadas eram usadas exclusivamente por cavalos. É que o local foi o primeiro a receber a corrida de trote no país, em que charretes eram puxadas por cavalos e conduzidas por jóqueis. O local era ponto de encontro da elite paulistana.

PERUS
A subprefeitura de Perus tem um cemitério que ficou famoso após a descoberta de ossadas de inimigos do Regime Militar brasileiro em uma vala clandestina em 1990 no Cemitério de Perus. Os desaparecidos políticos foram enterrados como indigentes na época da Ditadura e os familiares desconheciam o paradeiro das vítimas.

Perus também abrigou a primeira fábrica de cimento do país, a Companhia Brasileira de Cimento Portland fabricou material para construções importantes como o Vale do Anhangabaú e Brasília.

Mapa das 32 subprefeituras de São Paulo (Foto: Arte/G1)
Mapa das 32 subprefeituras de São Paulo (Foto: Arte/G1)

Fonte: g1.globo.com

Se você quer receber atualizações sobre este tema ou outros de nossa página, inscreva-se abaixo:
Receba boas notícias em seu Email


Seja o primeiro a comentar Assunto: "SP, 462 anos: Fatos curiosos sobre a cidade – Zona Norte"

Deixe um comentário

Translate »