Pediatra de 92 anos atende crianças de graça em Pontal do Paraná e não pensa em parar

Ivan Fontoura tem uma história de amor dedicada à Medicina, digna de grandes livros

“Eu vou até quando não poder mais”. A frase é de Ivan Fontoura, de 92 anos, que já recebeu as duas principais honrarias da Medicina e tem uma história digna de um livro, mas não pensa em parar. “Eu quero morrer em pé. Fisicamente eu sofro, trabalhando sem parar, descansando só para tomar um café, mas ser médico é isso. Depois, a gente se recompõem e continua”, contou o pediatra, que atende de forma voluntária 30 crianças por dia em Pontal do Paraná.

Toda segunda e quinta-feira, a partir das 9h, o idoso caminha com a esposa Eva, que é enfermeira, até o consultório no posto de saúde em Praia de Leste. Eles sabem que vão para mais um dia de novas histórias e vidas salvas, agora em um trabalho de caráter social, sem receber nada por isso.

“Eu já ganhei dinheiro que dá pra viver. Sempre estive ligado as crianças com necessidades, na parte social, e quis continuar. Havia necessidade de ajudar aqui, porque o povo me conhece e acaba pedindo. Agora então, com o apoio da Secretaria de Saúde, faço isso de forma organizada. Minha esposa me ajuda muito, é uma grande parceria”, contou Ivan Fontoura, em entrevista à Banda B nesta sexta-feira (19).

Formação

Ivan é formado em 1951 pela Universidade Federal do Paraná. Possui pós-graduação e Mestrado na Universidade da Califórnia, além de Doutorado em Sourbone, na França. A maioria do tempo trabalhou na pediatria, com um carinho especial pelas crianças. A ideia de se tornar médico começou aos quatro anos, depois de conhecer um pouco mais da Medicina.

“A verdade é que eu comecei a querer ser médico após receber uma visita de um cirurgião, há quase 90 anos. Eu vi o atendimento dele e aquilo foi mágico. Devagarinho, fui estudando e sempre pensando em ser médico. A Medicina deu muito trabalho, mas é uma fonte de muita alegria. Compensa muito”, destacou Ivan, que é irmão do ator global Ary Fontoura.

Breve parada

Durante anos, Ivan Fontoura foi diretor de hospitais, incluindo o Pequeno Príncipe, onde se aposentou no ano de 2005, após um trabalho para um atendimento mais humanizado na instituição. “Aquilo foi sério e me cansou muito. Então, tive que sair meio rápido, porque percebi que ou tomava um pouco de ‘rivotril’ ou parava. Então, resolvi parar e, depois de um ano de descanso, comecei a trabalhar de novo, voluntariamente”, salientou.

Na família

Um filho de Ivan e quatro netos também se tornaram médicos. Ele sabe que, inevitavelmente, foi um exemplo. Apesar disso, não acha que faz algo diferente e que precise de aplausos. “Claro que não. Faço porque posso. Pode procurar por -aí que tem uma porção de gente que ajuda assim também”,  garantiu, mesmo com a desconfiança do repórter, que insistiu em parabenizá-lo. “Pare com isso, não precisa não”, disse.

Embora a humildade do senhor de 92 anos, os moradores de Praia de Leste tratam Ivan como um verdadeiro tesouro, por este trabalho voluntário e carinhoso com as crianças. “Não houve dia na história da Medicina que não tenha aprendido algo diferente. A Medicina faz você aprender, viver momentos dramáticos e guardar tudo para sempre”, afirmou Ivan Fontoura, que ainda pretender ter mais histórias para compartilhar e certamente vai ter.

Honrarias

Ivan Fontoura já recebeu as duas principais honrarias do Conselho de Medicina do Paraná: o Diploma de Mérito Ético-Profissional, por 50 anos dedicados à atividade; e a Medalha de Lucas – Tributo ao Mérito Médico, por seu trabalho médico-social.

Fonte: Banda B

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