Meninas que representaram Brasil em mundial de matemática contam como é ser exceção em olimpíada

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Pela primeira vez IMO ocorre no Brasil; competição começou no Rio de Janeiro na ultima segunda (17). Haverá premiação exclusiva às mulheres.

Apenas sete meninas representaram o Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, na sigla em inglês) desde que o país fez sua estreia na disputa em 1979. Elas fizeram dez participações, enquanto os meninos foram 209 vezes às competições. Neste ano, a IMO ocorre pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, desde segunda-feira (17). E assim como nos últimos quatro anos, não há nenhuma competidora na delegação brasileira.

Nesta 58ª edição do mundial, haverá a estreia de um prêmio exclusivo às mulheres que mais contribuírem com o resultado de suas equipes. A ideia é incentivar a participação feminina.

Para compor a equipe, é preciso encarar etapas em outras esferas, como a olimpíada brasileira. As meninas que fizeram história, no entanto, descartam estereótipos como “heroínas” ou “gênias”, e acreditam mais em estímulo e oportunidade. O G1 conversou com três ex-representantes da competição internacional (veja o vídeo acima com o depoimento de duas delas).

“Quando você fala em super-herói parece que tem de nascer com um superpoder para conseguir algo. Acho que todo mundo nasce com a capacidade de fazer o que quiser. A diferença é que nem todo mundo tem oportunidade. Não é porque é mulher que fica fadada a nunca ser boa em alguma coisa”, diz Deborah Alves, de 24 anos, que participou da IMO em 2010 e 2011.

Da experiência internacional, ela lembra que a presença das meninas era rara, mas que não se sentia desconfortável, pois se acostumou com a situação. Ela conta que enquanto meninos do grupo ficavam no mesmo quarto, ela, como única garota, tinha de ir para o alojamento feminino e dividir quarto com competidoras de origens diferentes. “No fim, era divertido porque era a forma mais fácil de conhecer pessoas de outros países.”

Deborah se formou em ciência da computação e matemática pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e voltou recentemente ao Brasil para criar sua empresa de tecnologia em São Paulo. Ela diz que sempre foi estimulada a gostar de ciências exatas, mas sabe que pode ser uma exceção.

Só 10% de mulheres

A IMO ocorre todos os anos desde 1959 em um país diferente, exceto em 1980, e pela primeira vez, neste ano, ocorre no Brasil. Os competidores precisam resolver problemas desafiadores em dois dias consecutivos. A baixa participação feminina, no entanto, é histórica e notada em todos os países.

Neste ano, o mundial vai reunir 623 estudantes de 112 países. Destes, só 65, ou seja, 10% são do sexo feminino. No ano passado, de um total de 602 competidores que estiveram em Hong Kong, havia 71 mulheres. Até 1987, o número de meninas na competição era menos de dez.

O Brasil só começou a participar da IMO, 20 anos depois de sua criação em 1979. A primeira garota a integrar uma delegação brasileira foi Leda Braga, em 1983. Hoje Leda comanda um poderoso fundo de investimento internacional.

Segundo o coordenador da IMO 2017, Edmilson Motta, é muito difícil ver um país ter metade da equipe formada por mulheres. “É difícil entender os motivos dessa baixa participação. Vem em um pacote bastante confuso que inclui preconceito, falta de oportunidade e estímulo. Hoje há ações que buscam minimizar isso, mas o caminho é longo.”

No total, o Brasil participou 37 vezes de uma Olimpíada Internacional de Matemática. Foram nove medalhas de ouro, 41 de prata, 72 de bronze e 29 menções honrosas. A IMO é organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

Fonte: G1

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