Avés Guarás voltam a aparecer no céu de Florianópolis pela primeira vez desde 1773

Espécie apareceu em um bando com mais de 1.000 aves em vários manguezais da Ilha

O piscar repetido da tela do celular chamou a atenção de Fabrício Basílio. O pesquisador do Observatório de Áreas Protegidas e do Laboratório de Gestão Costeira Integrada da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), recebeu de uma amiga um vídeo que mostrava o voo de vários guarás. O céu foi tomado pelas aves vermelhas, fato que assustou Fabrício. Essa espécie não aparecia na Ilha desde 1773.

O grande grupo de aves foi visto próximo ao Manguezal do Itacorubi. No Saco dos Limões, o agrônomo e maricultor Fabio Faria Brognoli também avistou o guará. Há registros da presença deles na Daniela, Estação Ecológica de Carijós e na Reserva do Pirajubaé.

Durante o século 17 a ave sobrevoa os céus do litoral brasileiro, percorrendo desde o Amapá até Santa Catarina. Seu desaparecimento não tem uma causa definida. O zoológo Guilherme Renzo Rocha Brito comenta que vários fatores podem ter interferido na extinção do bicho em Florianópolis.

“A exploração das penas vermelhas, a coleta de ovos e a degradação dos manguezais são alguns dos motivos que ajudam a entender esse desaparecimento. O guará vive no mangue e depende dele para se alimentar e reproduzir”, afirma Guilherme que também é professor no departamento de zoologia da UFSC.

O guará foi sumindo de quase todo o litoral ao longo dos anos, sendo observado apenas nos 1453 Km que separam o Amapá e o Ceará. Em Santa Catarina, ele foi visto pela última vez em Palhoça no ano de 1859.

Guarás manezinhos

O biólogo Fernando Farias ficou sozinho na passarela próxima ao Mangue do Itacorubi. Os amigos que o acompanhavam na observação de pássaros, cansados de esperar a volta dos guarás já tinham idos embora. Mais cedo, o grupo viu cerca de 400 deles no Parque. Já era 17h quando o grupo com mais de 1.000 aves enfim sobrevoou o local onde Fernando estava. O espetáculo tão aguardado por ele foi registrado em fotografias que viralizaram na internet.

“Gente que lindoooo é aqui no “nosso” mangue do Itacorubi?”, “Belíssimos!” e “Que maravilha! Imagino tua emoção, que dia especial”, foram alguns das dezenas de comentários que as fotografias receberam.

O encanto, contudo, fez Fernando pensar sobre a reprodução destas aves. “É importante que as pessoas contem o número de pássaros quando avistarem, mas que mantenham distância para não assustá-los”, comenta.

O alerta de Fernando está ligado a uma possibilidade de reprodução das aves aqui na Ilha. Entre novembro e abril, os guarás procuram lugares para construírem seus ninhos e colocarem ovos. Para isso é necessário que eles se sintam confortáveis no mangue.

De acordo com o zoólogo Guilherme Renzo Rocha Brito, o “guará manezinho” poderia nascer em breve. “Durante a reprodução a cor do bico dos guarás muda, passando de marrom para preto. As aves avistadas em Florianópolis estão com bicos pretos, o que aumenta a possibilidade”, afirma.

Preservação dos mangues colabora

A vinda dos guarás para Florianópolis foi possibilitada pela preservação dos mangues da Capital. As áreas administradas pelo ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e pela Prefeitura da Capital, preservam a fauna e a flora típica.

“Se não tivesse uma área de conservação, talvez não existisse manguezal nem guará”, explica o pesquisador Fabrício Basílio. A manutenção da biodiversidade local garante que o ciclo de vida de vários animais como tubarões que vem reproduzir no local e ajudam na proteção da linha da Costa.

Ave não está extinta

Presente em diversas áreas da América do Sul, o guará corre risco de extinção. A ave não integra também a lista vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais). Documento que alerta sobre o desaparecimento de espécies.

O guará adquire a cor vermelha graças a sua alimentação baseada em crustáceos. Como não consegue digerir o pigmento oriundo da refeição, ele acaba ganhando tal cor. Medindo entre 50 e 60 cm, o pássaro tem um bico fino e costuma andar em grandes grupos.

Fonte: nd+

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