Após transplante de coração, brasileira torna-se triatleta e está em Olimpíada

Patrícia Fonseca está participando da Summer World Transplant Games (Olimpíada dos Transplantados), realizada no Reino Unido entre os dias 17 e 24 de agosto

Durante 30 anos, Patrícia Fonseca conviveu com uma insuficiência cardíaca grave, sem poder realizar tarefas triviais para a maioria das pessoas. Na infância, não podia brincar com as outras crianças e em muitos momentos, precisou usar cadeira de rodas porque não tinha forças para andar.

Hoje, ela conta que vive a cada ano como se fosse um presente — e o maior de todos foi o que ela ganhou no seu 30º aniversário: um coração novo.

Após o transplante cardíaco, a brasileira de 33 anos tornou-se triatleta e entre os dias 17 e 24 de agosto, estará em Newcastle, no Reino Unido, para participar, pela segunda vez, do Summer World Transplant Games (Olimpíada dos Transplantados). Lá, irá competir com outros atletas que passaram por transplantes de diferentes órgãos, como coração, intestino, fígado, pulmão ou pâncreas.

A Olimpíada também permite que participem doadores (pelo menos nove meses após a doação) e familiares dos doadores nas provas. Entre os desafios, estão modalidades como triatlo (que envolve natação, ciclismo e corrida), badminton, arco e flecha, basquete, futebol, golfe, tênis de mesa, entre outras competições. .

Nesta edição dos Jogos, o foco de Patrícia Fonseca será o triatlo, mas ela também participará de provas de ciclismo em equipe, atletismo e natação em revezamento. A sua primeira Olimpíada foi em 2017, na cidade de Málaga, na Espanha, quando ela foi a primeira brasileira transplantada a participar do evento.

Em agosto de 2018, Fonseca participou dos Jogos Panamericanos para Transplantados Transplant Games of America, em Salt Lake City nos Estados Unidos, ganhando dois ouros (em triatlo e corrida) e duas pratas ( ciclismo e natação). Também conquistou três medalhas (um ouro, na natação, e duas pratas, no triatlo e revezamento de natação) na 9ª edição dos Jogos Latinoamericanos para Transplantados, realizada na cidade de Salta, na Argentina.

Coração que bate forte
“ Se voltasse no tempo e contasse para mim mesma que viraria triatleta, eu nunca iria acreditar, gente do céu!”, diz Fonseca. A surpresa  da atleta se justifica: aos vinte anos de idade, o médico deu a ela menos de seis meses de vida. Durante muito tempo, a brasileira nem sequer era elegível para ficar na fila de espera por um transplante, por conta de uma hipertensão pulmonar muito elevada. 

A medicina avançou e ela finalmente conseguiu entrar em espera no sistema nacional de transplantes, em março de 2015. Mas, a saúde foi se agravando e Fonseca teve de ser encaminhada à UTI. “O ideal seria esperar em casa a doação, mas eu fiquei muito mal” , relembra. “Eu cheguei em um nível de cansaço tão grande que não tinha forças para falar: estava consciente, mas presa dentro do meu próprio corpo.”

Ligada a máquinas e com o coração já não aguentando realizar seu trabalho por conta própria, o transplante de Fonseca ocorreu cerca de quatro meses depois de ela entrar na fila, em um procedimento realizado no HCor (Hospital do Coração, em São Paulo).

“No primeiro momento o transplante era contraindicado, mas com medicações conseguimos melhorar a condição dela”, conta Paulo Pego, cirurgião cardíaco do HCor responsável pela cirurgia. “Ela teve uma evolução muito favorável pelo fato de ser jovem e ter um ânimo interno muito forte. Foi a paciente mais eufórica que eu vi no pós-operatório.”

Ajuda e superação
Antes e depois do transplante, a paciente realizou um trabalho de Reabilitação Cardiopulmonar e teve acompanhamento de médicos e fisioterapeutas. “Ela andava na esteira por trinta segundos e já cansava”, relata à GALILEU, Lucas Sampaio, fisioterapeuta do HCor. “Então fomos a reeducando ao esforço físico, começando com o fortalecimento de pernas”.

No começo do tratamento foram realizados exercícios nos membros inferiores para a paciente ganhasse mais musculatura sem sobrecarregar o coração. Também foram feitos trabalhos de musculação e exercícios aeróbicos em esteira e bicicleta. “A Patrícia é um exemplo que o transplantado pode fazer tudo desde que esteja bem assessorado”, diz Sampaio. Para quem já venceu tantos desafios, participar de uma competição esportiva internacional é também celebrar a força da vida.

Fonte: Galileu 

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