Brasileira está entre os 10 melhores professores do mundo

A professora paulistana Débora Garofalo é uma das dez finalistas do Global Teacher Prize, da Varkey Foundation, associada à Fundação Victor Civita no Prêmio Educador Nota 10.

Considerado o “Nobel” da educação, a premiação internacional elege, anualmente, o melhor professor do mundo. O vencedor receberá 1 milhão de dólares em uma cerimônia nos Emirados Árabes Unidos, em março.

Embora sua formação original seja em Letras e Pedagogia, a professora de 39 anos conquistou os alunos da Escola Municipal Almirante Ary Parreiras, na periferia de São Paulo, construindo helicópteros, máquinas de refrigerante e carrinhos automáticos — um deles, inclusive, capaz de tocar a canção tema da animação Frozen.

Em 2014, percebendo a carência dos estudantes na área da tecnologia, candidatou-se para lecionar Informática Educativa para crianças do 1º ao 9º ano e, com recursos próprios, aprendeu a transformar lixo em protótipos de sucata. Daí nasceu a ideia de aliar sua disciplina à urgência local de combate às enchentes, em uma região marcada pela pobreza.

“Percebi que muitos alunos não iam à escola em dia de chuva, e que as enchentes eram agravadas pela quantidade de dejetos nas ruas. Pedi que eles observassem onde as pessoas descartavam e trouxessem os eletrônicos e objetos recicláveis”, conta Débora. Desde então, uma tonelada de lixo saiu das ruas, graças ao projeto que mobilizou a comunidade inteira. A iniciativa lhe garantiu um lugar entre os finalistas da premiação.

Outros nove professores concorrem ao título, que no ano passado foi conquistado pela britânica Andria Zafirakou. Este ano, a brasileira compete com representantes de Reino Unido, Holanda, Japão, Argentina, Estados Unidos, Quênia, Índia, Geórgia e Austrália. Débora foi selecionada entre mais de 10 mil indicações e candidaturas de 39 países.

Para a escolha do vencedor, que será anunciado no dia 24 de março, em Dubai, o comitê de premiação leva em consideração o emprego de práticas educacionais escalonáveis, inovadoras, que tenham resultados visíveis, causem impacto na comunidade, melhorem a profissão docente e ajudem os alunos a tornarem-se cidadãos.

‘Super-heróis’

A revelação dos dez finalistas foi feita em vídeo pelo ator Hugh Jackman. “Quando eu era criança, eu queria ser vários super-heróis. Mas agora eu posso dizer, de onde estou, com toda minha experiência, que os verdadeiros super-heróis são os professores. São eles que mudam o mundo”, relatou Jackman, que interpretou Wolverine no cinema. Débora conta que se emocionou muito com o anúncio.

Em entrevista a VEJA, quando foi anunciada entre os 50 finalistas, disse que, para manter o projeto vivo, passou por “um grande teste de resistência”. “Minha comunidade é muito machista. Achavam estranho uma mulher trabalhando com robótica. Tive que conquistar as meninas e ensinar que elas podem ser o que quiserem”, afirmou Débora. O sucesso veio com a redução da evasão escolar. “Os diretores começaram a se encantar quando viram alunos com péssimo se rendimento se destacando”, comemora.

No ano passado, a Varkey Foundation, responsável pelo prêmio, divulgou uma pesquisa inédita que relaciona bons resultados no PISA à valorização dos professores. O Brasil foi o último do ranking, entre 35 países. O objetivo do Global Teacher Prize, criado há cinco anos, é justamente chamar a atenção do público para a importância destes profissionais.

Junto com os outros finalistas, Débora recebeu uma mensagem do empresário Sunny Varkey, presidente da instituição: “Espero que sua história inspire aqueles que pretendem ingressar na carreira de docente, e também destacar o incrível trabalho que os professores fazem em todo o território brasileiro e em todo o mundo, todos os dias”.

Educador Nota 10

Global Teacher Prize já teve entre seus finalistas dois brasileiros vencedores do prêmio Educador Nota 10, realizado pela Fundação Victor Civita (FVC). No ano passado, chegou à última etapa do “Nobel” da educação o professor Diego Mahfouz Faria, Educador do Ano de 2015. Em 2017, esteve entre os indicados do prêmio global o capixaba Wemerson da Silva Nogueira, Educador do Ano de 2016.

A Varkey Foundation é associada à Fundação Victor Civita para ampliar o reconhecimento do trabalho realizado por educadores nas mais diversas áreas. No Brasil, a FVC tem feito isso há mais de 20 anos por meio do Prêmio Educador Nota 10, o maior e mais importante prêmio da Educação Básica brasileira, e um dos mais respeitados no segmento na América Latina.

Criado em 1998 pela FVC, o prêmio reconhece professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país. Desde o ano passado, o prêmio conta com um jurado indicado pela Varkey para a escolha do Educador do Ano. Em março será divulgado o regulamento de sua próxima edição. Ao longo das últimas 21 edições foram premiados 221 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam cerca de 2,5 milhões de reais.

Fonte: MSN

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