PMs arrecadam doações para família de homem que furtou por não ter o que comer

PMs arrecadam doações para família de homem que furtou por não ter o que comer
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Homem foi flagrado roubando barras de ferro e policiais descobriram situação crítica em que ele morava. Diante da situação, a generosidade falou mais alto.

Um homem foi detido em flagrante roubando materiais de construção de uma obra em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), na noite do último domingo (17). No entanto, o que tinha tudo para ser apenas mais uma ocorrência policial se tornou um ato de generosidade após os policiais descobrirem que o crime foi cometido porque a família não tinha o que comer em casa. Diante da situação, os soldados da Polícia Militar decidiram agir e fazer a sua parte.

De acordo com o capitão Nelson Stoccheiro, a polícia recebeu uma denúncia pelo 190 informando que havia um furto em andamento em uma obra no bairro Capela Velha.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a família levando as barras de ferro usadas na construção. “Eles estavam furtando esses vergalhões de ferro, possivelmente para venda por quilo. E, ao chegarem lá, os policiais deram voz de prisão ao homem e o levaram até a Delegacia de Araucária”, conta.

O soldado Thiago Ramos, que participou da abordagem, conta que o homem não tinha nenhuma passagem pela polícia e passou todo o trajeto até a delegacia dizendo que tinha roubado por necessidade. “É bem comum a gente ouvir isso em prisões em flagrante, mas o que chamou a nossa atenção foram as crianças, que estavam junto com ele na hora”, relembra o policial. “Além disso, ele insistiu para que fôssemos até a sua casa para ver a situação em que vivia”.

Diante dos pedidos, os policias foram até a residência e encontraram a família vivendo em condições bem precárias. “Era uma área de invasão, bem difícil de chegar. Lá, encontramos a mulher fazendo comida em um fogareiro improvisado do lado de fora de casa”, diz o soldado Valdeir Pedroso. Segundo ele, a família tinha apenas um pouco de arroz em casa, um litro de leite doado por uma vizinha e algumas frutas vindas do Ceasa. “Era uma situação crítica e que nos comoveu bastante. Então fizemos algumas imagens e enviamos para um grupo de WhatsApp com outros policiais, que decidiram ajudar”.

Doações

E não demorou para que a generosidade dos policiais começasse a dar frutos. As imagens e vídeos feitos pelos dois soldados circularam dentro da própria companhia, que começou a arrecadar alimentos. Familiares também ajudaram com roupas e até mesmo brinquedos para as crianças. Além disso, um comerciante da região também contribuiu com outros produtos.

“Em menos de meia hora depois de termos enviado a mensagem, já tinha gente trazendo mantimentos”, conta o soldado Ramos. Segundo ele, a quantidade de produtos arrecadados foi tão grande que as doações não couberam no porta-malas da viatura e foram alocadas até mesmo nos bancos do veículo. Ao todo, ele estima que os alimentos arrecadados sejam o suficiente para alimentar a família por cerca de três meses.

A entrega das doações foi feita na noite desta segunda-feira (18), um dia após a prisão. De acordo com o soldado, o homem e a esposa não acreditavam que eles retornariam e foi muito bom ver a surpresa de todos quando os mesmos policiais que haviam feito a prisão chegaram — só que, desta vez, com boas notícias. “A gente fez o nosso trabalho como policiais, mas sentimos que faltava algo mais, porque vimos que a família precisava de uma ajuda. E foi muito gratificante ver a alegria de todos quando chegamos”, diz Ramos.

De acordo com o capitão Stoccheiro, a boa ação dos policiais serviu também para incentivar outros moradores da região, que também fizeram mais doações. “Além disso, dois advogados querem acompanhar a situação do cidadão na delegacia”, conta. “Apesar de toda a comoção, o inquérito foi aberto e ele não vai deixar de ser penalizado criminalmente. E eles querem acompanhar”.

Só que, para o oficial, o mais importante é que a família foi ajudada e isso deve evitar que eles voltem a cometer algum outro tipo de delito. “A gente frisou que demos um voto de confiança e o homem nos disse que toda a ajuda afastou a possibilidade de que ele volte a errar”, completa o soldado Ramos.

Fonte: Gazeta do Povo

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